Trump ordena que órgãos dos EUA evitem o termo “IA” e usem “superinteligência”
Uma ordem executiva determina que órgãos federais evitem “IA” sempre que possível; executivos de algumas empresas também aderiram ao novo termo.

Donald Trump assinou na semana passada uma ordem executiva que determina que órgãos do governo dos Estados Unidos evitem usar “IA” sempre que possível e adotem “superinteligência”. Antes, em um discurso na ONU, ele havia dito que a palavra “artificial” faz a inteligência parecer falsa. A ordem dá sequência à tentativa de rebatizar a tecnologia, enquanto Trump defende acelerar seu desenvolvimento e minimiza os riscos de segurança.
A mudança já chegou a órgãos federais. O Centro de Padrões e Inovação em IA dos EUA passou a se chamar Centro para o Avanço da Inovação e dos Padrões de Superinteligência. Comunicados do Departamento de Justiça também adotaram a expressão, inclusive ao descrever uma fraude ligada a músicas geradas por IA.
Executivos do setor apoiaram o termo. Elon Musk prometeu mudar SpaceXAI para SpaceXSI; Jeff Bezos disse que “artificial” não é muito elogioso; e Sam Altman elogiou a ideia, mas afirmou que a OpenAI não mudará de nome.
O artigo ressalta que “superinteligência” já designava uma IA avançada capaz de superar o pensamento humano, não toda a categoria. Trump não pode impedir o Congresso de usar “inteligência artificial”, expressão presente em leis existentes, e a adoção ampla do novo termo pode tornar seu significado menos claro.
O que muda para você
A mudança afeta a linguagem de órgãos federais e de algumas empresas nos Estados Unidos; a fonte não relata alteração em produtos nem uma nova tecnologia disponível ao público. Para quem acompanha o setor, há uma distinção importante: “superinteligência” já pode se referir a sistemas que superariam o pensamento humano, não necessariamente a qualquer ferramenta de IA.
Minha leitura
Rebatizar a tecnologia não elimina as preocupações com seus efeitos. O risco é usar “superinteligência” para tudo e apagar a diferença entre ferramentas atuais e sistemas hipotéticos capazes de superar o pensamento humano. Quando uma empresa ou governo usa esse termo, eu perguntaria qual capacidade concreta está descrevendo — e que evidência sustenta essa afirmação.
Thiago FelizolaConsultor de IA, curador do Diário da IA

