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Reuters encontra cláusulas de IA em contratos propostos a modelos de moda

A Reuters analisou contratos ainda não assinados que previam alterar imagens, criar réplicas digitais e usar fotos de modelos no treinamento de ferramentas de IA.

Contrato de fotografia de moda e caneta diante de manequim abstrato ilustram cláusulas propostas sobre uso de imagem com IA.
Ilustração editorial · Diário da IA

A Reuters entrevistou 15 diretores de agências e analisou mais de uma dúzia de contratos confidenciais de sessões fotográficas. Os documentos, ainda não assinados, incluíam condições propostas por marcas como Diesel, Calvin Klein e L'Oréal para alterar imagens e definir usos futuros com inteligência artificial.

Uma ficha da Diesel pedia autorização para alterar rostos e proporções corporais e combinar o rosto de um modelo com o corpo de outra pessoa. A OTB, controladora da marca, disse que o documento foi elaborado para uma campanha específica e não representa seus contratos habituais. Um contrato da Reale Actives previa criar réplicas digitais e usá-las por um ano sem pagamento adicional; a empresa afirmou que nunca reproduziu modelos com IA.

A análise também encontrou cláusulas que permitiriam usar imagens no treinamento de ferramentas. Uma versão preliminar de contrato da Calvin Klein previa esse uso, sem remuneração extra, para imagens consideradas irreconhecíveis. A L'Oréal pediu autorização para usar IA em alterações de produtos, embalagens e tonalidades; afirmou que usa ferramentas convencionais na edição sem alterar a imagem do modelo.

A reportagem também relata a adoção de modelos artificiais por varejistas. A Zalando fechou dois estúdios fotográficos em Berlim e eliminou mais de 340 postos de trabalho, embora tenha mantido alguns funcionários em outras funções. Desde junho de 2025, uma lei do estado de Nova York exige consentimento explícito para criar ou modificar réplicas de modelos.

O que muda para você

A reportagem interessa diretamente a modelos, agências e marcas que negociam direitos de imagem. Os contratos examinados eram propostas, não acordos assinados, e as cláusulas variavam entre empresas. Para quem compra roupas on-line, ela registra o uso de imagens artificiais por varejistas, mas não aponta uma mudança prática imediata para o consumidor.

Minha leitura

Direitos sobre a imagem precisam acompanhar a tecnologia que permite reutilizá-la e modificá-la. A reportagem mostra que cláusulas amplas podem prever réplicas digitais e treinamento de ferramentas sem pagamento adicional. Mas eram propostas de contrato, e algumas marcas disseram que os documentos não representam sua prática. O critério para avaliar esse tipo de acordo é concreto: quais usos foram autorizados, por quanto tempo e com que remuneração.

Thiago FelizolaConsultor de IA, curador do Diário da IA

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