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Anúncios políticos com IA nos EUA movimentam mais de US$ 137 milhões

O Wesleyan Media Project identificou 220 anúncios eleitorais feitos com inteligência artificial nos EUA. Apenas 27% informavam o uso da tecnologia.

Televisão com imagens eleitorais genéricas, cédula e lupa ilustram levantamento sobre anúncios políticos feitos com IA nos Estados Unidos.
Ilustração editorial · Diário da IA

O Wesleyan Media Project identificou 220 anúncios políticos produzidos com inteligência artificial nos Estados Unidos antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Os pesquisadores acreditam que o número real seja maior. A prática, chamada de “slopaganda”, combina propaganda política com conteúdo de baixa qualidade gerado por IA.

Quase 81% dos anúncios identificados foram financiados por candidatos republicanos ou grupos ligados ao partido. Os democratas responderam por 12%; o restante teve financiamento de candidatos ou organizações independentes. Segundo o levantamento, mais de US$ 137 milhões foram gastos na veiculação dessas peças. Em 2024, o gasto com esse tipo de propaganda havia sido de US$ 50 mil.

Apenas 27% dos anúncios identificados informavam o uso de IA, segundo Erika Franklin Fowler, codiretora do projeto. Não há regra federal nos EUA que obrigue campanhas a divulgar esse uso, embora alguns estados tenham criado regras para limitar a tecnologia em publicidade eleitoral. Pesquisadores ressaltam que a quantidade de anúncios não prova que eles influenciem o resultado da eleição. Um relatório da Universidade de Nova York avalia que podem ser mais eficazes para mobilizar eleitores ou arrecadar fundos.

O que muda para você

A mudança é mais direta para eleitores nos Estados Unidos, que podem encontrar anúncios políticos feitos com IA sem aviso. O levantamento não trata de uma ferramenta ou serviço disponível ao público, mas do uso da tecnologia em propaganda eleitoral. Para quem acompanha campanhas, a ressalva é que os pesquisadores não concluíram que esses anúncios mudem o resultado das eleições.

Minha leitura

O gasto com esses anúncios cresceu, mas isso não prova que convençam eleitores. Para mim, a distinção importa: o levantamento mede a presença e o financiamento da propaganda com IA, não seu efeito sobre os votos. O risco mais concreto descrito na reportagem é outro: muitos anúncios não avisam que usam a tecnologia, o que dificulta verificar imagens e vídeos.

Thiago FelizolaConsultor de IA, curador do Diário da IA

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