A prefeitura de Nova York anunciou uma regra inédita: alunos do jardim de infância até o 8º ano (crianças de 4 a 14 anos, aproximadamente) estão proibidos de usar ferramentas de inteligência artificial nas escolas públicas pelos próximos doze meses. A medida vale para o ano letivo de 2026-2027 e atinge cerca de 600 mil estudantes. Além disso, chatbots criados para fazer companhia ou dar apoio emocional foram banidos em todas as séries, inclusive no ensino médio.

Pelas novas regras, professores também não podem usar IA para corrigir provas. Já os alunos do ensino médio só poderão recorrer à tecnologia em situações específicas e terão aulas de letramento em IA duas vezes por ano — para aprender a pensar de forma crítica antes de depender das máquinas. O uso de telas individuais, como tablets, fica proibido até o 3º ano. Para os anos finais do fundamental, o tempo máximo recomendado de tela é de 45 minutos por dia. Existem exceções: alunos com deficiência ou que estejam aprendendo inglês ainda podem usar ferramentas adaptadas, e programas de computação também ficam de fora da proibição.
A prefeitura diz que esta é uma das políticas mais restritivas dos Estados Unidos, mas países como Noruega, Suécia e Holanda já adotaram medidas nacionais parecidas. O prefeito Zohran Mamdani justificou a decisão dizendo que “crianças precisam de professores e conexão humana para aprender e crescer”. A indústria de tecnologia, segundo ele, tenta vender a ideia de que a IA na educação infantil é inevitável — mas a cidade não concorda.
Para quem tem filhos na rede pública de Nova York, a mudança é concreta: os jovens não vão usar ChatGPT ou similares na escola durante o período da proibição. Os professores, porém, continuam livres para usar IA no planejamento das aulas. Para quem não mora lá, a notícia mostra que a desconfiança em relação à IA na infância está crescendo — e que cidades grandes estão dispostas a frear a tecnologia em nome do desenvolvimento das crianças. Não há impacto imediato no dia a dia do leitor brasileiro, mas o debate sobre os limites da IA na educação deve se intensificar por aqui também.