Fórum Econômico Mundial alerta que IA pode ampliar desigualdade de gênero no trabalho
Em Londres, dirigentes do Fórum Econômico Mundial e do LinkedIn relacionaram a expansão da IA ao risco de ampliar desigualdades de gênero no mercado de trabalho.

Dirigentes do Fórum Econômico Mundial (WEF) e do LinkedIn alertaram em setembro, em Londres, que a expansão da inteligência artificial pode acentuar desigualdades de gênero no mercado de trabalho. O alerta foi apresentado junto ao relatório anual do WEF sobre desigualdades entre homens e mulheres.
Segundo Saadia Zahidi, integrante do comitê executivo do WEF, a IA está transformando empregos qualificados de escritório, ocupações que atraíram muitas mulheres e ofereceram meios de subsistência nas últimas décadas. O relatório também aponta que mulheres estão menos representadas em empresas especializadas em IA do que em empresas comparáveis, em todos os níveis.
Sem maior presença feminina nas áreas científicas e nas novas funções ligadas à IA, as oportunidades econômicas criadas pela tecnologia podem beneficiar principalmente os homens, afirma o documento. Um dirigente identificado como Duke defendeu investimentos de governos e empresas na formação e em todas as etapas das carreiras das mulheres. O relatório também registra que a redução global das desigualdades de gênero desacelerou a partir de 2016, em comparação com o período de 2006 a 2016.
O que muda para você
Para quem trabalha em funções de escritório, o alerta trata de ocupações que podem ser transformadas pela IA, não de uma previsão de que postos específicos desaparecerão. Para empresas e governos, a questão é ampliar a presença de mulheres na formação e nas carreiras ligadas à tecnologia. O relatório não anuncia um programa ou medida que trabalhadores possam acessar agora.
Minha leitura
A disputa pelas oportunidades da IA começa antes de a tecnologia chegar ao trabalho: passa por quem recebe formação e consegue avançar nas carreiras do setor. O relatório aponta esse risco, mas não quantifica quantos empregos serão transformados nem apresenta uma política para enfrentá-lo. Para empresas, o critério prático é observar não só quem é treinado, mas também quem chega às funções ligadas à IA.
Thiago FelizolaConsultor de IA, curador do Diário da IA

