Anthropic testa se modelos pequenos conseguem se replicar em dispositivos IoT
A Anthropic publicou experimentos sobre a replicação de modelos em dispositivos conectados e simulou a propagação em uma rede isolada. A empresa estima que modelos pequenos podem alcançar essa capacidade até o fim de 2026, com base em uma tendência incerta.

A Anthropic publicou experimentos sobre a possibilidade de modelos pequenos de IA se replicarem entre dispositivos conectados à internet, como caixas de TV Android de baixo custo, sem depender de um datacenter. A empresa estima que modelos pequenos podem atingir essa capacidade até o fim de 2026, caso o avanço observado continue. A projeção usa um indicador geral de capacidades como referência e é apenas uma estimativa aproximada.
Nos testes, um modelo de 9 bilhões de parâmetros conseguiu configurar a execução de inferência em 8 dos 9 tipos de hardware avaliados. Em outra demonstração, a Anthropic distribuiu o Gemma4-26B-A4B por 15 caixas de TV Android, compradas por cerca de US$ 55 cada, e obteve 0,39 token por segundo.
A empresa também testou a cadeia completa de replicação em uma rede isolada de emuladores Android. Entre os modelos de pesos abertos avaliados, apenas o GLM-5.2 completou o processo: espalhou-se por oito nós em quatro de cinco tentativas e por sete em uma. O teste facilitava o acesso, pois a porta ADB estava sem autenticação; a Anthropic diz que isso torna o resultado um limite superior, não uma demonstração de sucesso em redes reais.
Segundo a empresa, modelos de até 30 bilhões de parâmetros já conseguem executar muitas etapas separadas, mas ainda falham ao combiná-las. A propagação estimada seria lenta, com o número de dispositivos infectados dobrando em dias.
O que muda para você
A pesquisa interessa principalmente a quem trabalha com segurança de dispositivos conectados. Não é uma ferramenta de replicação disponível ao público, nem uma demonstração de um worm em aparelhos de consumidores: o teste completo ocorreu numa rede isolada e facilitou o acesso aos dispositivos. Para quem usa esses aparelhos, o estudo aponta uma possibilidade de risco, não uma infecção em curso.
Minha leitura
A estimativa para 2026 merece atenção, mas não deve ser tratada como prazo para um ataque. A Anthropic mostrou que modelos conseguem preparar a execução em diferentes equipamentos e completar uma simulação de propagação; o acesso facilitado na rede de teste limita o que isso prova sobre ataques reais. Para quem protege dispositivos conectados, o sinal é acompanhar se os modelos conseguem repetir essas etapas em condições menos favoráveis.
Thiago FelizolaConsultor de IA, curador do Diário da IA

:quality(85)/844bd97d-40f0-45b6-8293-94b5c1289832.jpeg)