Trump insiste em chamar inteligência artificial de “superinteligência”
O presidente dos EUA defendeu trocar o nome da IA e fez enquetes na Truth Social, sem explicar como a mudança seria implementada.

Donald Trump tem defendido chamar a inteligência artificial de “superinteligência”. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, no mês passado, disse que queria ver o termo em documentos dos EUA e, esperava, de todo o mundo. Antes disso, publicou enquetes na Truth Social com diferentes opções de nomes, mas não explicou como faria a mudança nem se o setor de tecnologia concordava com a proposta.
Trump também afirmou que passaria a tratar como “inimigo” quem usasse “inteligência artificial” em vez de “superinteligência”. Anderson Soares, fundador e professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, avalia que a iniciativa parece ter motivação política e não contribui para o desenvolvimento da área. Allan Pscheidt também vê a proposta como uma demonstração de poder e soberania dos EUA na disputa internacional por liderança em IA.
O termo “inteligência artificial” foi definido formalmente em 1955, nos Estados Unidos, no trabalho de pesquisadores como John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester. A tecnologia hoje aparece em recursos como reconhecimento facial, carros semiautônomos e ferramentas generativas, entre elas o ChatGPT. A proposta de Trump não veio acompanhada de uma mudança na definição científica ou técnica da área.
O que muda para você
Para quem usa ferramentas de IA, nada muda de imediato: Trump não apresentou um plano para implementar a troca de nome, e a fonte não relata apoio do setor de tecnologia. A discussão é relevante para quem acompanha a política dos EUA para a inteligência artificial, mas não altera o funcionamento nem o nome técnico da área.
Minha leitura
A proposta mostra como o nome da IA pode virar parte da disputa política por liderança tecnológica. Mas, sem um plano de implementação ou adesão do setor, a mudança segue no campo das declarações. Para quem trabalha com essas ferramentas, o que ajuda a decidir é entender o que cada sistema consegue fazer e onde falha — não o rótulo que um governo prefere.
Thiago FelizolaConsultor de IA, curador do Diário da IA

