S&P alerta que big techs podem ter mais dívidas com IA do que revelam
A S&P Global vê risco de obrigações ligadas à expansão da infraestrutura de IA ficarem fora do radar por causa de acordos financeiros complexos.

A S&P Global alertou que as maiores empresas de tecnologia podem ter mais dívidas relacionadas à inteligência artificial do que os números divulgados revelam. Mark Habib, responsável global por infraestrutura digital da agência, fez a afirmação durante uma mesa-redonda em Londres, segundo a Reuters. A S&P não vê, por enquanto, necessidade de alterar as classificações de crédito dessas companhias.
Habib apontou operações interligadas, como acordos em que grandes empresas garantem a construção de centros de dados ou dão suporte financeiro a empresas menores de IA. Essas estruturas podem dificultar a identificação de quem assume os riscos. Quando uma operação não é divulgada ou não passa pela avaliação da agência, a S&P pode não ter visibilidade sobre as obrigações envolvidas.
A agência também afirmou não identificar uma divergência significativa entre suas avaliações e a recente desvalorização de títulos ligados à infraestrutura de IA. Em julho, rebaixou a Oracle para BBB-, o nível mais baixo do grau de investimento, devido a preocupações com os gastos em IA e à incerteza sobre como convertê-los em lucros. A avaliação pode mudar se os investimentos se mostrarem insustentáveis, os gastos aumentarem ou a concorrência dificultar o crescimento das receitas.
O que muda para você
A notícia interessa principalmente a investidores e a quem acompanha o financiamento da infraestrutura de IA. A S&P não anunciou mudanças gerais nas classificações de crédito, então nada muda de imediato para quem usa ferramentas de IA. O alerta é sobre a visibilidade das dívidas: acordos complexos ou não avaliados pela agência podem deixar obrigações fora do radar.
Minha leitura
A classificação de crédito pode não contar toda a história quando parte dos compromissos financeiros fica fora do radar da agência. Ainda assim, a S&P não vê motivo para mudar, por enquanto, as avaliações das empresas. Para medir o risco desses investimentos, importa acompanhar não só quanto as companhias gastam com IA, mas também se conseguem transformar esse gasto em receita e lucro.
Thiago FelizolaConsultor de IA, curador do Diário da IA

