O Google DeepMind lançou nesta semana o WeatherNext 3, um modelo de inteligência artificial para previsão do tempo que promete ser o mais avançado e preciso já criado pela empresa. Diferente dos sistemas tradicionais, que dependem de simulações físicas complexas e demoradas, o novo modelo aprende diretamente com imagens de satélite atualizadas a cada hora. O resultado são previsões muito mais detalhadas e que se renovam constantemente, algo essencial para acompanhar fenômenos que mudam rápido, como tempestades.

O grande salto do WeatherNext 3 está na forma como ele enxerga a atmosfera. Enquanto a maioria dos modelos de IA, incluindo o anterior da própria Google, era treinada com dados de simulações que levavam seis horas para serem processadas em supercomputadores, esse novo modelo usa um mosaico de imagens de satélite em tempo real. Isso permite previsões a cada hora, com resolução de até 5 quilômetros — cinco vezes mais nítida que a versão anterior, que operava com grades de 25 quilômetros e atualizações a cada seis horas. A melhoria é especialmente notável em variáveis como temperatura e umidade, que podem variar drasticamente em poucos quilômetros perto de costas, vales ou montanhas. Para resolver isso, o modelo também treina com dados de estações meteorológicas reais, capturando detalhes regionais que os métodos tradicionais perdem.
Para o mundo da tecnologia e da ciência, isso representa um avanço concreto. A previsão do tempo sempre foi um dos problemas mais difíceis de resolver, e a IA vinha ajudando, mas ainda esbarrava na falta de resolução local e na dificuldade de incorporar dados ao vivo. O WeatherNext 3 resolve essas limitações. Além disso, ele traz inovações práticas: consegue prever a velocidade do vento na altura das turbinas eólicas (100 metros) e estimar cobertura de nuvens e radiação solar, dados valiosos para a produção de energia limpa. Um dos resultados mais impressionantes é na previsão de chuva e neve, onde o modelo obteve até 60% de melhora em relação a medições de satélite, segundo avaliações independentes.
Na prática, o usuário comum já pode sentir a diferença. Quem usa o Google Search, o Google Maps ou o assistente Gemini vai passar a ver previsões meteorológicas mais confiáveis e localizadas, com atualização a cada hora — útil para decidir se leva guarda-chuva para o trabalho ou se dá para programar um passeio ao ar livre. Mas o impacto maior talvez seja para quem vive em regiões da América Latina, África e Ásia-Pacífico, que historicamente não tinham acesso a previsões de alta resolução por causa do custo astronômico de supercomputadores. Agora, qualquer pessoa com um smartphone e acesso aos produtos Google pode ter um boletim meteorológico tão detalhado quanto o de um centro de pesquisa. Para situações de emergência, como tempestades repentinas, a atualização rápida pode salvar vidas.