Voltar para notícias
techcrunch.com
0 visualizações

Kimi K3: especialistas contestam acusação de cópia da Anthropic

Conselheiro de ciência dos EUA acusa startup chinesa Moonshot de destilar modelo Fable, da Anthropic, para criar o Kimi K3. Especialistas, porém, questionam se a técnica explicaria o avanço tão rápido do modelo.

Kimi K3: especialistas contestam acusação de cópia da Anthropic
O conselheiro de ciência da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou que a Moonshot, empresa chinesa por trás do Kimi K3 — o maior modelo de linguagem aberto disponível —, construiu seu sistema copiando o modelo Fable, da Anthropic, utilizando chips não autorizados para exportação à China. Kratsios classificou a prática como “destilação industrial em larga escala” e “roubo de tecnologia proprietária dos EUA”. A Moonshot não respondeu a perguntas sobre seu processo de treinamento. No entanto, especialistas ouvidos pelo TechCrunch são céticos quanto à acusação. Braden Hancock, pesquisador do Laude Institute e cofundador da Snorkel AI, argumenta que não é possível obter um modelo tão forte e tão rápido apenas com destilação. “O Fable só está disponível desde 1º de julho. Não há tempo para destilar tantos dados, treinar um modelo e lançá-lo em duas semanas”, afirmou. Já Nathan Lambert, pesquisador do Allen Institute for AI, disse que a destilação vem perdendo impacto à medida que os modelos chineses se aproximam da fronteira tecnológica, e que a técnica exigiria aprendizado por reforço em larga escala, o que seria extremamente caro e lento. A destilação envolve consultar um modelo alvo para gerar dados usados no pós-treinamento, mas Lambert acredita que os benefícios do fine-tuning supervisionado estão diminuindo. Para copiar capacidades como as do Fable, seriam necessários milhões de agentes de aprendizado por reforço — algo inviável via API de um modelo de fronteira. Hancock ressalta que a equipe da Moonshot inclui um PhD da Carnegie Mellon, e que os engenheiros chineses têm competência técnica própria. Ele acrescenta que, se os modelos americanos parassem, o progresso chinês desaceleraria, mas não pararia. A acusação de Kratsios também inclui o uso de chips Nvidia GB300 contrabandeados via Tailândia, o que levanta debates sobre regulação de data centers e a necessidade de leis de “conheça seu cliente” em todo o mundo.