Google condiciona acesso à busca escolar à aceitação de ferramentas de IA
O Google permitirá que escolas ativem ou desativem separadamente suas ferramentas, mas as que recusarem a IA também perderão acesso ao buscador. Tudo ficará desativado por padrão até decisão dos administradores.
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O Google informou na terça-feira (3) que escolas de ensino fundamental e médio poderão ativar ou desativar individualmente ferramentas como Gemini, Gemini Notebook e o buscador. Todas ficarão desativadas por padrão até que os administradores escolares decidam habilitá-las. Como a busca está integrada à inteligência artificial, porém, as escolas que optarem por não usar IA também perderão acesso ao buscador do Google.
A mudança ocorre após críticas à ativação do Gemini para muitos estudantes da educação básica que usam o Google Classroom, anunciada em agosto. Até então, a empresa só permitia habilitar o chatbot para alunos com 18 anos ou mais.
O Google também informou que está ajustando a busca para torná-la mais adequada ao aprendizado. Entre as mudanças, estão orientações passo a passo para resolver problemas, em vez de apenas fornecer respostas prontas. Segundo a empresa, 150 milhões de estudantes e professores em todo o mundo usam o Google Classroom.
Josh Golin, diretor-executivo da Fairplay, criticou a iniciativa e afirmou que a tentativa de pressionar escolas a usar os produtos de IA pode ter o efeito contrário. Redes públicas de Nova York e Los Angeles estabeleceram proibições temporárias ao uso de IA generativa em escolas de ensino fundamental enquanto avaliam a tecnologia e sua segurança.
O que muda para você
A mudança afeta administradores de escolas que usam as ferramentas do Google: eles poderão escolher quais habilitar, mas não poderão manter o buscador da empresa sem aceitar a IA. Estudantes e famílias não ativam as ferramentas por conta própria; a decisão cabe às redes de ensino. A fonte não informa quando a nova configuração será aplicada.
Minha leitura
A decisão das escolas envolve mais do que permitir ou bloquear um chatbot: recusar a IA também significa abrir mão da busca do Google. Isso deixa a escolha condicionada à integração feita pela empresa. A proposta de orientar os alunos passo a passo pode ser útil, mas ainda falta saber como funciona na prática e que efeito tem sobre a aprendizagem.
Thiago FelizolaConsultor de IA, curador do Diário da IA

