China domina os maiores modelos de IA abertos enquanto EUA focam em hardware
Levantamento sobre o ecossistema de IA aberta mostra que modelos chineses ultrapassam 2 trilhões de parâmetros, enquanto americanos ficam abaixo de 130 bilhões na maior parte do ano. Pequenos modelos, porém, são os mais baixados.
O cenário dos modelos de inteligência artificial de código aberto mudou de figura em 2026. Um levantamento feito no Hugging Face, o maior repositório mundial de IA, mostra que os maiores modelos abertos hoje vêm da China, não dos Estados Unidos. Enquanto laboratórios americanos como Meta e Google reduziram seus lançamentos de ponta, empresas chinesas como Alibaba, Xiaomi e DeepSeek passaram a publicar modelos com mais de 2 trilhões de parâmetros — as variáveis que definem o tamanho e a capacidade do sistema. Para comparação, os maiores modelos americanos originais lançados no período ficaram abaixo de 130 bilhões de parâmetros na maioria dos meses, com exceção de um modelo da NVIDIA e outro da Thinking Machines Lab.
O número de modelos públicos na plataforma saltou de 2,43 milhões para 2,96 milhões em sete meses. Só que a imensa maioria deles — 85,6% — tem menos de 200 downloads totais. A atividade real se concentra em 1,5% dos repositórios, que respondem por 99,2% dos downloads. Quando se olha para o tamanho, a disparidade é ainda maior: modelos com menos de 1 bilhão de parâmetros representam 83% de todos os downloads da história da plataforma. Já os modelos acima de 100 bilhões respondem por apenas 1%. A razão é simples: a maioria dos desenvolvedores só consegue rodar modelos pequenos no hardware que tem.
As empresas americanas não abandonaram o código aberto, mas mudaram de estratégia. Quem mais publicou novos modelos em 2026 foram as fabricantes de chips, AMD e NVIDIA — cada uma com mais de 200 novos repositórios. Elas descobriram que modelos abertos são uma forma de vender hardware: ao liberar um modelo otimizado para seus chips, provam que a máquina funciona. Já do lado chinês, grandes laboratórios como Moonshot e MiniMax passaram a lançar apenas modelos gigantes, ignorando versões pequenas. Isso só é viável porque a comunidade reduz esses modelos por meio de técnicas de compressão (quantização) pouco depois do lançamento, permitindo que rodem em computadores comuns.
O ecossistema que mais cresce é o da família Qwen, da Alibaba. Só ela gerou mais de 150 mil modelos derivados criados por outros desenvolvedores no Hugging Face — 2,6 vezes mais que todo o ecossistema da Meta (dona do Llama). O sucesso se deve a três fatores: lançamentos regulares, cobertura de vários tamanhos (do menor ao maior) e licença permissiva Apache 2.0, que permite uso comercial sem restrições. Na prática, isso significa que um desenvolvedor que quer construir uma aplicação de IA tem hoje mais opções abertas e poderosas do que nunca, desde que esteja disposto a usar modelos chineses. Para quem só quer testar IA no próprio computador, os pequenos modelos continuam reinando — e nenhum novo lançamento de 2026 entrou nem na lista dos 25 mais baixados do ano.
De onde veio esta notícia
Texto em português produzido com apoio de inteligência artificial a partir da publicação original de Hugging Face. Os fatos, números e nomes são os da fonte — se quiser conferir, o link abaixo leva ao original.
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