Campanhas dos EUA tentam influenciar respostas políticas de chatbots
Documentos obtidos pela Reuters detalham estratégias para ampliar a presença de candidatos nas respostas do ChatGPT, Claude e Gemini. Os planos incluem publicar conteúdo online e acompanhar as respostas das ferramentas.

Documentos obtidos pela Reuters mostram campanhas políticas dos Estados Unidos tentando influenciar o que chatbots dizem sobre candidatos. Uma apresentação preparada para Mike Minogue, candidato republicano ao governo de Massachusetts contra a governadora Maura Healey, detalha uma estratégia para ampliar a presença dele nas respostas dos assistentes virtuais.
Elaborado pela consultoria Visigent, o plano recomenda criar centenas de páginas sobre as propostas de Minogue, publicar referências em sites frequentemente citados pelas IAs e produzir conteúdo para YouTube e Reddit. Também prevê acompanhar as respostas dos chatbots e ajustar os materiais publicados. A campanha de Minogue não respondeu aos pedidos de comentário da Reuters.
Segundo Cameron Hickey, CEO da National Conference on Citizenship, cerca de 25% dos eleitores elegíveis já perguntaram a um chatbot sobre algum candidato ao decidir em quem votar. Meg Schwenzfeier, da Caucus AI, alerta que os sistemas podem apresentar informações não verificadas com segurança. Jordan Haines, da Run for Something, afirmou que, até o momento, os modelos têm conseguido distinguir informações confiáveis de conteúdos de procedência duvidosa. Ele disse que informações publicadas no Reddit chegaram a aparecer nas respostas das IAs no dia seguinte.
A reportagem cita serviços que vão de ferramentas de monitoramento a consultorias com publicidade paga; os preços variam conforme o serviço e o tamanho da campanha. Joe Bonilla, da Relentless Awareness, prevê que a prática ganhará escala até a eleição presidencial americana de 2028.
O que muda para você
Para eleitores, a reportagem reforça que respostas de chatbots podem refletir conteúdos publicados na internet, inclusive informações não verificadas. Para campanhas, descreve serviços pagos de monitoramento e consultoria, sem informar um preço único. A estratégia de Minogue aparece em uma apresentação; a fonte não afirma que tenha sido executada ou que já tenha alterado respostas dos chatbots.
Minha leitura
Publicar mais conteúdo pode aumentar a presença de um candidato nas respostas de uma IA, mas a reportagem não prova que uma campanha consiga controlar o que o chatbot recomenda. Para quem consulta essas ferramentas, o limite é claro: uma resposta segura no tom ainda pode reunir informação de procedência desigual. Eu conferiria afirmações sobre candidatos em fontes independentes, em vez de tratar o chatbot como árbitro da disputa.
Thiago FelizolaConsultor de IA, curador do Diário da IA

