Aplicativos usam IA para criar imagens associadas a fantasmas
Amy Waine e Jarrad Cutting lançaram o GhostTube Seer em 2023, enquanto outro aplicativo usa IA para analisar áudio em busca de fenômenos de voz eletrônica.

Aplicativos de inteligência artificial passaram a fazer parte de investigações paranormais, mas dividem opiniões entre os praticantes. Amy Waine e Jarrad Cutting lançaram o GhostTube Seer em 2023 e o apresentam como o primeiro aplicativo de caça aos fantasmas baseado em IA.
A ferramenta usa o magnetômetro do celular para captar sinais magnéticos, associar palavras e expressões a eles e alimentar um gerador de imagens. Disponível por assinatura mensal, já ultrapassou 1 milhão de downloads, segundo sua página na Google Play Store. Usuários também podem compartilhar imagens e comentar publicações em um feed.
Outro aplicativo, o Spirit Phone Innovations, foi lançado pelo investigador Sean Austin. Ele usa IA para analisar áudio em busca de fenômenos de voz eletrônica, conhecidos como EVP. A pesquisadora Alex Matsuo questiona quais dados alimentam os sistemas que identificam supostas manifestações. Ela também defende que a dimensão humana permaneça no centro da investigação, que pode estar ligada a traumas ou à perda de alguém próximo.
Em uma investigação gravada na Winchester Mystery House, Waine e Cutting interpretaram imagens geradas pelo GhostTube Seer como possíveis referências à história da residência. A fonte não apresenta esses resultados como comprovação de atividade sobrenatural.
O que muda para você
As ferramentas são voltadas a quem investiga fenômenos paranormais. O GhostTube Seer funciona por assinatura mensal; a fonte não informa o preço nem as condições de acesso do Spirit Phone Innovations. Os aplicativos já permitem gerar imagens a partir de sinais magnéticos ou analisar áudio em busca de EVP, mas a fonte não apresenta esses resultados como prova de atividade sobrenatural.
Minha leitura
Uma imagem convincente pode nascer de sinais ambíguos sem confirmar a interpretação paranormal. Para mim, a questão central é saber o que o sistema detecta e o que seus usuários concluem a partir disso. Enquanto os dados usados para identificar supostas manifestações não estão claros, a ferramenta pode servir como apoio à investigação, mas não resolve a dúvida sobre o que aconteceu.
Thiago FelizolaConsultor de IA, curador do Diário da IA

